CleopatraMoon

Um Mundo à parte onde me refugio e fico ......distante mas muito próxima.

A minha foto
Nome:
Localização: LISBOA, Portugal

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” Sou alguém que gosta de descobrir e gosta de se descobrir. Apontamento: Gosto que pensem que sou parva. Na verdade não o sou. Faço de conta, até ao dia em que permito que percebam o quanto sou inteligente.

online

domingo, maio 04, 2008

click to comment


A minha filha diz-me:
- Cheiras tão bem!
E eu pergunto:
- A que cheiro?
E ela responde:
- Cheiras a Mãe!
-
( a minha filha tem 14 anos)
-
O Meu filho declara-se-me em papelinhos que vou encontrando por aí:

- Mãe sabes que gosto muito de ti. Amo-te muiiiitoooo. Tu sabes não sabes?
-
( o meu filho tem 10 anos )
-
DIA DA MÃE
-
Bom dia Mãe

Etiquetas:

quinta-feira, maio 01, 2008

Hoje apetece-me escrever em voz baixa.

Já alguma vez vos deu para escreverem em voz baixa? Baixinho, num murmúrio, como uma Avé Maria que se reza ao pôr do sol ao som dos sinos da igrejinha do adro numa tarde de alentejo?!

Hoje apetece-me escrever em voz tão baixa que não oiças nunca mais o que tenho para dizer.
Escrever em voz tão baixa que o traçado da caneta no papel apareça esbatido, como se a tinta tivesse mil anos...
Escrever em voz tão baixa que só possas ler o que escrevo quando eu morrer....
Será que se pode escrever em voz baixa?
Quem ama pode tudo. Até esconder-se nas letras que escreve em voz baixa e desaparecer na escrita como um pequeno ponto final ou três pontos plenos de reticências...

Hoje apetece-me escrever em voz baixa porque há três dias que ando a escrever um texto em voz muito alta.
Estou cansada...Acho que vou dormir depois de escrever em voz baixa.
-
ACCB

Etiquetas:

sábado, abril 05, 2008

( Foto ACCB)
Sentada dentro do carro num quase final de tarde por sobre a ravina, leio o livro que me propus ler em duas semanas .
Em frente o infinito. Não me chama mas diz-me que posso ir. Empurra-me recordações suaves de outros dias que foram e ainda são. Permanecem em mim, não na recordação.
Os olhos retomam o livro, mas a brisa da tarde chama por mim. Lá fora, não tarda, o sol mergulhará no mar hoje um pouco cinzento ontem azul e brilhante, quente...
Baixou a temperatura....E pensar que ontem ofereci os ombros aos lábios do sol, como se estivessemos em Junho.
Dentro do carro não tenho casaco, não tenho frio mas não está calor que a janela do lado do pendura está aberta. ( porque é que aquele lado é do pendura?! E porque é que o tipo que se senta ali é o pendura?...)
Oiço a música da Rádio Marginal que me chega serena com a brisa.
É a minha rádio preferida. A que oiço todos os dias. Cria-me a ideia de que viajo à beira rio ou mar o lá o que vos souber melhor...Cria-me a sensação de infinito. É por isso que a oiço. Traz-me lembranças felizes.
Não resisto e capto com o TM a imagem à minha frente. Há momentos únicos.
Deviam ser todos fotografados.
Deixo-vos o registo.
A brisa da tarde diz-me que são horas de partir.
E eu ligo o carro, fecho o livro, meto a marcha atrás não vá partir em direccção ao infinito.
Sim que essa viagem, só na imaginação.
-
ACCB

Etiquetas:

terça-feira, abril 01, 2008

O "CleopatraMoon" despede-se de vocês, por tempo indeterminado com este texto. É um texto de mistério, um escrito de magia e, imaginação ...

Deixo-vos também mais alguns textos que tinha em rascunho.

Uma forma de ficar por aqui ainda algum tempo ou, como diria o poeta : -"Digo-te adeus, como se não voltasse ."

A HORA NONA


Tinha no parque uma árvore que se ficava por sobre uma fonte em que grifos de pedra olhavam os que por ali paravam , silenciosos e observadores.

Diziam que era um mistério aquela fonte e outro mistério aquela árvore. À fonte chamavam-lhe a fonte das quimeras. A árvore não tinha nome.

Desde pequena que gostava de parar por ali, mesmo quando a casa e toda a quinta ficou ao abandono.


Um abandono triste e desesperado de quem sente que foi feliz e deixou de o ser por mão de outros que não merecem a sua felicidade.


Desde menina que era aquele o canto dos seus segredos. Parava por ali em tardes quentes de Agosto, quando Agosto era mesmo Verão e o silêncio do parque lhe contava histórias de princesas mouras e cavaleiros cristãos, de cavalos árabes e princesas cristãs que fugiam de noite e, diziam depois, que tinham sido levadas nos braços do vento para o norte de África.


A árvore estendia os seus braços e, sentia que ficava silenciosa a ouvir-lhe os pensamentos.
O Grifo, o que sempre ficava voltado para ela, por causa do local onde escolhia sentar-se, parecia aos outros um Leão, mas não era, era um Grifo e ela não sabia o que significava.


Só mais tarde, já mulher encantada pelas histórias dos templários, percebera o que significava aquela estátua de pedra que deveria jorrar água pela boca mas estava seca e não deixava contudo de ter vida.
Não falava das suas descobertas a ninguém. Ninguém iria perceber. Todo o Mundo iria duvidar. Já lhe parecia o auto da barca do Inferno.

Naquela tarde e pela primeira vez, levara-o consigo.
Era Julho. Uma tarde quente de Julho que ali se tornava fresca e serena. Nunca ali levara ninguém Era o seu canto de segredos e miragens. O lugar de meditação e imaginação. O recanto dos deuses que partilhavam com ela segredos que só a serra conhecia.
Sentia sempre que ali ía, como que um apelo de buscar o que de mais profundo e íntimo havia em si e, conseguia encontrar ou descobrir o que não conhecia. Era um local sagrado e, esperava que ninguém o violasse.

Mesmo nos anos em que a Quinta ficara desgrenhada anos a fio, doente e abandonada, aquela árvore e aquela fonte continuaram, a ser o canto das descobertas e das partilhas com a serra e a natureza, com o seu Eu interior.
Todos diziam que parecia ensombrada e houve dias em que quase teve medo de entrar lá dentro, mas, a magia do lugar quebrava o temor humano e ela sabia que aquele era o seu canto e o seu segredo.

Naquela tarde de Julho, a luz do Sol que ainda não se tornara dourada, espreitava por entre o verde das folhas e proporcionava a frescura de um jardim oriental que só naquele local era possível e debaixo daquela árvore era o céu.
A sonoridade da cidade e o stress de uma manhã de trabalho intensa diluíram-se no silêncio em volta.
Ele sentou-se na sua frente, tirou o casaco e arrancou a gravata..
Nenhum dos dois falava, ambos sabiam que era urgente não quebrar aquele silencio porque os olhos tinham coisas para dizer.

Um empregado colocou-lhe na frente o bolo de chocolate macio e coberto de creme quente a escorrer pelo prato.
Ela gostava, e gostava de lho dar aos pedacinhos....devagar, como se faz a uma criança que acabou de chorar muito e ainda soluça baixinho.
Os olhos encontraram-se e mergulharam no sentir de cada um ... as mãos não se atreveram a mover-se porque sabiam que os olhos diriam tudo e nem seria preciso a Voz fazer-se ouvir. Sabiam tudo, tudo, como a velha árvore que a conhecia de menina, como a velha fonte e os Grifos com todos os seus segredos em volta ...Eles sabiam que aqueles seres quase mitológicos os escutavam e sentiam o que eles sentiam.

Contaram-lhe que numa noite de lua negra, dois amantes ali se tinham perdido para sempre.Depois de se amarem como se o ontem e o amanhã existissem no nunca, tinham-se perdido na quinta, de noite, por entre as árvores,... ainda se falou que tinham caído ao poço...mas ela sabia que apenas tinham descido ao poço.
Perdidos do mundo lá fora, tinham jurado amor eterno como numa história de nunca mais ou uma história de inexistência e plenitude.
Tinham encontrado depois os brincos dela caídos sobre a cruz de Cristo no fundo do poço mas dele nunca encontraram nada.
Falou-se em crime mas não havia vestígios. Só sabiam que nunca mais ninguém os viu.

Pedacinho a pedacinho começaram a comer o bolo de chocolate sob os ramos verdejantes da árvore silenciosa. O tronco forte e protector parecia escutar o silencio da voz e ouvir o som do olhar.
E contaram o que lhes ia na alma , e juraram que era verdade, e acreditaram que não poderia ser de outra forma. E interrogaram-se porque era assim... e eles que nunca ali tinham pedido aquele doce, perceberam porque o partilhavam, perceberam o sabor do chocolate acabado de deitar sobre a textura macia que se desfazia na boca.
Perceberam o que só aquela árvore sabia antes deles.
O grifo pareceu sorrir. Ele reparou que havia um cálice na escultura aos pés do animal ....uma imagem entre o divino e o humano.
E falaram dos medos, dos impossíveis, da realidade e do sonho. E dos desesperos da distancia e da fraqueza da existência, da força da alma e da verdade dos sentimentos que não morrem no tempo. E do tempo que não conheciam e a que tinham pertencido e em que se tinham conhecido, como se de uma outra vida se tratasse.


Ele disse-lhe que sabia de um lugar onde o Mundo acabava e as terras desabavam...
Ela disse-lhe que sabia de um lugar onde o rio se abre ao mar, de um sentir, de um entregar-se num abraço para aliviar apenas o cansaço.


Ele disse-lhe que queria apenas deixar-se partir....
Os olhos dela disseram-lhe:- Sei de cor os teus silêncios.
E os olhos dele responderam-lhe: - Sei de cor o teu olhar.
E ela respondeu-lhe ainda: -Deixa-me ser a princesa das tuas histórias de encantar.....

E as mãos dele encontram-lhe os dedos finos e frios, e sorriu-lhe.
Uma lágrima deslizou pelo sorriso dela e, devagarinho, ele beijou-a e bebeu-a. Matava-lhe a sede .
Um sussurro de vento por perto trouxe o empregado que colocou dois cálices de um liquido que nenhum deles sabia o que era mas que beberam silenciosos.
Deram-se as mãos.
No tronco da árvore alguém desenhara disparatadamente duas letras que eram apenas uma , como só os gaiatos quando andam de amores.
Parecia um símbolo kármico, mas eles sabiam o que significava. Muitos anos antes uma garota numa tarde em que o Agosto era mesmo Verão, desenhara uma letra. Muitos anos depois, um homem apaixonado fizera o mesmo, sobre a mesma letra. Ele desenhara exactamente a mesma letra , numa noite de lua negra.
Beberam o liquido do cálice até ao fim.
Levantaram-se em silencio. Ele deu-lhe a mão e ambos sabiam até onde iriam
Quando iniciaram a descida olharam-se sorridentes.
Sabiam o que iam encontrar.
Lá no fundo, por sobre a cruz e a estrela estavam os brincos dela caídos no chão. Ele apanhou-os e colocou-lhos. Depois voltados para a luz que os espreitava por um dos túneis, caminharam sem medo da escuridão.
Um novo caminho se iniciava.
Ao fundo havia um recorte ,... o da velha árvore da fonte dos grifos....
-



ACCB
16-01-2008 18:52




( este texto foi escrito em resposta a um desafio da NI com o nome - " A árvore dos amantes" - Blog MOMENTUS - mesmo aqui ao lado)

Etiquetas:

quarta-feira, fevereiro 27, 2008


Lá fora não. Havia um vento próprio de uma Primavera prometida que, contudo, tinha ainda restos de um Inverno inesperado. E, lá dentro, desde que fumar não era permitido no interior daquele café, o sol entrava e abria as janelas de vidro, grandes e largas.
Sentou-se. Não queria café. Apenas uma água limpida, transparente, natural...
O olhar atravessava os óculos escuros,como que a esconderem o pensamento. Não via o que queria, ou não queria ver? Ver é duro quando a realidade brinca de esconde esconde como criança que vai crescendo e a gente não quer.
-
Abriu o livro,...mas não. Nem ler conseguia. Encostou o queixo na palma da mão direita e, mais uma vez o olhar percorreu o caudal do Tejo. A corrente sempre na mesma direcção, o caudal sempre o mesmo apesar das marés... Que fora que mudara? Que raio de coisa mudara?
Não conseguia encontrar a razão....
Respirou fundo e uma serenidade enorme atravessou-lhe a alma. Era como se se abandonasse ao curso do rio...Havia barcos ao sabor da corrente, e o olhar desviava-se, continuava a olhar o curso do rio. Havia gaivotas que mergulhavam tontas e sôfregas de peixe, ... e olhar continuava a percorrer o caudal do rio... Havia pardais soltos no vento,... e o olhar procurava sempre o curso do rio....
-
Abriu o livro, " A mulher Certa". Baixou o olhar à sorte sobre a página marcada..."O que quis ele dizer?...Se calhar que um homem só vive enquanto tem um papel a desempenhar. Que depois, já não vive, somente existe. Tu não podes compreender porque desempenhas um papel no Mundo...o teu papel é amares-me. Ora, está dito. Não me olhes assim de esguelha, furibundo. Se alguém ouvisse o que estamos aqui a dizer(...) ...uma pessoa má que visse a cena de fora e nos ouvisse, havia de acreditar que conversamos como dois cumplices....(...) Ri, isso...Porque só os dois é que sabemos a verdade sobre nós"...pag. 328
Fechou o livro e, recolocou o queixo na palma da mão direita. Teimosamente continuaria a olhar o curso do rio.
ACCB

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 25, 2008



Na quinta feira passada depois de mais um dia de sessão, antes de sair do gabinete, baixei os olhos sobre a Visão que recebo mensalmente.
Não foi a capa que me prendeu a atenção. De abusadores sexuais conheço eu todas as manhas.

Não. Foi antes a maravilhosa crónica de Lobo Antunes.
Como é possível beber-lhe sôfregamente as crónicas e não conseguir devorar-lhe todos os livros?!

E, a certa altura, depois de falar do desejo de escrever o seu último livro, que o seria por ser grandioso e, só por ser o último, deveria ser grandioso, ele perguntava-se :


- Como é que se faz um livro?

E se ele estivesse ali eu ter-lhe- ia respondido que:

-Um livro não se faz..., escreve-se a alma.

-

ACCB

Etiquetas:

sábado, fevereiro 16, 2008

HEART TANGO



Este Clip, descobri-o no Blog do OUTONO.
Ao mesmo tempo que é de uma sensualidade estonteante, é também de uma verdade arrepiante.
A mesma mulher. Nem uma nem duas, várias ao mesmo tempo. A mulher executiva, a mulher mãe, a mulher paixão...a mulher que pensa, a mulher que opta, a mulher que se apercebe e a mulher que se assusta...

Numa mulher há vários corações ou várias formas de estar de ser... Ela não é só uma... O escolher ao pormenor a lingerie para o homem que ama, a doçura que tem com o filho ao colo quando o beija, a mulher profissionalmente decidida e emocionalmente forte ...a hesitação, a vontade, o perguntar-se a si própria:
- Porque o fizeste?
E o responder-se a si própria:
- Tu sabes porquê.

(Porque são a mesma! Reparem no pormenor do impermeável que tem duas cores, o vermelho paixão, vontade de ser no todo! E o bege de neutralidade, de responsabilidade, de esconder a outra que existe nela, e no pormenor da passadeira que se estende em tom contrastante com o do impermeável à entrada de um hotel, palacete, casa, escola de dança...).

-
Hearth Tango é filmado em Lisboa. Há uma imagem da R da Prata, quando se desce...
Há as aulas de dança,.. O Tango .. O Italiano... Lisboa...Uma mulher........ A música dos Gotan Project....
É um clip aproveitado pela Intimissima para publicitar a sua lingerie.
É um clip em que nós mulheres deviamos atentar...
Será que somos assim? Várias em uma só?

E vocês homens......Têm a sorte de descobrir na mulher que amam todas estas facetas?!

O filme termina com um agradecimento a todas as mulheres que conseguem ser o Ser mais próximo do seu coração. E um coração verdadeiro é mesmo como um tango,...ora arrebatado, ora, sereno, ora quase imóvel para depois entrar em rodopio, mas sempre, sempre compassado.

ACCB

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Há pouquinho há pouquinho, um amigo mandou-me flores. Estas mesmo. Virtuais mas lindas !! Obrigada Sr. Arquitecto.
Não se esqueça de nos seus projectos incluir flores no jardim! ;)


Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 31, 2008

"O Futuro é assim....uma coisa muito bonita....
Tu andas sempre à procura dele e quando lá chegaste ele já não existe
e tens de continuar
à procura dele...."
*

Etiquetas:

sábado, janeiro 26, 2008


"A vida não e medida pelo numero de vezes que se respira,

mas pelos momentos em que se perde o folego...

de tanto rir,

de surpresa,

de extase,

de felicidade."
-
.
(Um dos discursos do I Congresso Ibérico do Poder Judicial ,
terminou com esta frase.)

Etiquetas:

terça-feira, janeiro 22, 2008

UMA Delicia!!!!!!! Pode ser ouvido aqui

Etiquetas:

sábado, janeiro 19, 2008


"O rapaz que escrevia poemas" ou... diria eu, o Poeta sem Poema.

"Não sabia bem como lhe acontecia.Dava por si de caneta em riste, papel branco desafiando-o a escrever a alma,..."
(...)

"Pelos dezasseis, dezassete anos, cadernos e cadernos de poemas escritos, palavra a palavra, sem espinhas."
(...)
"Por vezes, acontecia-lhe até o estranho facto de acordar a meio da noite, de poema escrito na cabeceira dos sonhos, que passava para o papel de uma vez só, de um só fôlego,..."

(...)
"Era uma coisa estranha, essa que o levava a escrever textos antes do tempo, nomeando sentimentos que só vinha a experimentar anos depois de os ter narrado."

(...)
"- Posso desculpar-me, convidando-a para tomar um café?- Claro que sim, anuiu.Fizeram-no durante anos seguidos, que nunca mais se afastaram um do outro.Viviam numa paixão transbordante de carinho e afecto e o escritor dedicava-lhe as melhores páginas que alguma vez escreveu, agora na sensação de que o tempo parara."

(...)
"...aquela deusa, responsável pela alegria de viver de João, pela sua constante inspiração nas letras e na vida.Certo dia, tomado por uma gripe aborrecida, daqueles que fazem tremer em pleno verão, João recolheu-se na cama aos mimos da sua amada, ..."

(...)
"A porta da rua fechou-se atrás de si ligeira, que apressada era a vontade de regressar a casa e envolver de cuidados o seu amado, feliz pela dádiva desse amor correspondido.João pressentiu o perigo num arrepio que não foi de gripe, um tudo nada antes ......
-
José Ilídio Torres

Etiquetas:

Faz hoje anos que morreu Elis Regina
19 de Janeiro de 1982

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente... tudo vai ser diferente! "
( de Carlos Drummond de Andrade


Etiquetas:

Um amigo em Viagem mandou-me estas fotos lindas de Moçambique que partilho com vocês.
É mesmo África. Quem me dera que fosse África Minha.
-


-


Etiquetas:

sábado, janeiro 12, 2008

Na quinta feira à noite, no Palácio Nacional da Ajuda deliciei-me entre outros temas com Rhapsody in Blue tocada pela Escola Superior de Música de Lisboa.
Não a que aqui apresento porque os nossos músicos não são divulgados...
Pois...Portugal e Cultura...

Um concerto com as orquestras de Sopros e Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa. Obras de Gershwin, Grieg e Saint-Säens, que fizeram parte do reportório encheram-me a alma e lavaram-na...Hummm que delicia. E tão bem que eles tocam!

Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 10, 2008

-
Ou a Hora nona

Ela tocou as palavras.
Muitas vezes as abraçara.
Uma vez ele pedira-lhe: - "Escreve para mim."
E ela tocara as palavras e escrevera.
Outras vezes ele pedira-lhe:- "Escreve-me um poema".
E ela olhara as palavras que lhe colocara no peito, que dos seus lábios tinham descido pelo pescoço dele ou tinham pousado nos seus olhos ....Olhara as palavras que lhe oferecera e vira-lhas tatuadas na pele .
E então pensara... "eu abracei as palavras e dei-lhas como filhas, nascidas da minha alma e do meu sentir e ele não as vê , nem as ouve, nem as sente a queimarem-no em vida..."
Ela abraçara as palavras e ofertara-lhas em noite de lua cheia, em tarde de mar calmo e sol quente, em hora de silencio, hora de olhares e partilhas,...hora suspensa, a nona hora... a hora em que as palavras nascem depois de abraçadas e soltas pela alma....
E ele não entendia o tempo... a hora certa de abraçar as palavras...

Olhou-o nos olhos e mergulhou na alma dele. Lá dentro sussurou-lhe:
- É a nona hora. Eu abracei as palavras e elas são rios quentes com barcos vermelhos. Circulam-te no sangue, estão-te tatuadas nos poros,...fecha os olhos e vê-me...
Tenho olhos escuros e profundos e os meus cabelos são de seda com reflexos de entardecer, os meus dedos soltam sonhos e contam-te histórias de encantar e os meus lábios fazem de ti criança outra vez....
Não te ouves rir quando te conto histórias de encantar?
É hora nona...estende as mãos e abraça os barcos vermelhos que navegam no rio.
Bebe as palavras e mata essa sede de ser feliz.
Depois, depois pronuncia o meu nome....Ou então não o faças nunca mais porque é a hora nona.
A hora de abraçares as palavras ou de esqueceres que existem rios quentes com barcos vermelhos a navegar dentro de ti.

-
08-01-2008 23:35
-
ACCB

Etiquetas:

domingo, janeiro 06, 2008

Para quem não leu o livro, porque achou que não prestava, porque a capa lhe pareceu outra coisa, ou porque ao desfolhar as primeiras páginas achou logo "uma seca"; para quem procurou no livro mais um daqueles tipo surfistazinha ou coisa no género, deixo aqui um pedacinho ( apenas!) da minha leitura do mesmo.

Lição de tango, não é nada do que possam imaginar, ou nada do que possam concluir com uma rápida passagem de olhos pelas páginas, aqui e ali à procura do argumento.
Lição de tango é mesmo uma lição de tango no verdadeiro sentido da palavra. Pelo menos no sentido que eu lhe atribuo.
É uma lição de como amar, aprender a amar, saber amar e deixar-se amar. Amar e perder medos. Amar e ser autêntico. Uma lição de "saber seguir em frente enfrentando fantasmas fechados no armário".
-
Giovanna e Matilde, duas mulheres que se cruzam, com histórias de vida que deixam marcas e que aprendem a sobreviver.
A primeira depois de conhecer Matilde, e a segunda à sua custa e à custa de abafar os seus fantasmas, destapando-os depois com Giovanna.
Ambas, bonitas, ambas com marcas de passado. Ambas amadas, ambas cultas, ambas sofridas.

Giovanna conhece Matilde velha e doente, mas esta já foi bela e é culta, como ela.
Matilde ensina-lhe que só se vive uma vez e que os sentimentos não devem ser negados. Ensina-lhe ainda que o medo da morte e da doença em nada a ajudarão a enfrentar a realidade e em nada a ajudarão a ser feliz.
Ensina-lhe que ela, Matilde desde muito criança enfrentou tudo isso e muito mais.
Ensina-lhe que o fugir de si própria nunca a ajudará a descobrir-se.
Depois de se confrontar com o percurso de Matilde, Giovanna descobre-se e ao seu passado num tango ouvido repetidamente por Matilde - La cumparsita - e, ultrapassadas as incógnitas deste, descobre o que é na verdade ser por inteiro.
Este som traz a Matilde recordações de uma lição de tango feliz e a Giovanna, os fantasmas da sua idade de menina e de um pai doente que todos lhe esconderam que, depois de ultrapassados e enfrentados a levam a aprender a tal Lição de Tango.
-
Modignani conduz-nos por uma Itália de Mussolini, onde, como em todas as nações da época, os discursos não correspondem à dura realidade.
E a realidade é dura ... nua e crua em Itália naquela época. E a felicidade é curta em todas as épocas.
-
Um quadro de um pintor francês- Lição de tango- une-se às duas mulheres por um acaso do destino.
Mas seria o traço de menor importancia não fora a frase de quem o pintou para Matilde:
"-O Tango é violência- afirmou ele - Um homem e uma mulher procuram-se aflitivamente e, assim que se encontram, fogem um do outro.Voltam a juntar-se e deixam-se de novo.É a dança de um amor sem fim."

É este amor que Matilde vive com um homem que tem durante poucos anos e ao lado de quem quer dormir a eternidade, é este Amor que Giovanna nega, mas ao qual acaba por não resistir apesar do pouco tempo que têm para estar juntos.
Duas vidas, duas histórias que se completam.
Ambas em tempos diferentes, juntam-se no tempo e acabam por terminar a história uma da outra.
As duas mulheres conseguem dar a cada uma delas o equilibrio, o lavar da alma que lhes faltava .
-" Tu és como eu."- diz Matilde a Giovanna.
E Giovanna descobre porquê.
-

Aviso:- A literatura em questão não é light, nem pink. É pesada e, leva-nos a uma Itália viva , com gente viva dentro. Aborda o problema dos maus tratos infantis e conjugais. Não é uma simples história de amor. É uma lição de Vida.Tem muito mais do que aquilo que aqui vos disse.

ACCB

Etiquetas:

sexta-feira, janeiro 04, 2008


Ontem à tarde fui passear com o Tejo, o rio.
Não me quis dar a mão. Estava numa fúria inimaginável para quem o tinha visto dias antes sereno e lânguido, espraiando-se pela areia.
Parei o carro e fiquei a olhá-lo. Procurei-lhe os olhos mas, não queria conversas. Arremessava-se furioso contra a praia como se ela lhe limitasse a fúria que trazia no peito. Parecia toda uma revolta de quem está onde não quer, de quem procura espaço sem ter.
Não reparava o coitado, que apenas ficava mais e mais furioso porque era empurrado pela maré.
Fiquei ali algum tempo, ouvindo-lhe a voz. Era sempre o mesmo tom, de fúria, de raiva, mas por trás, para quem escutasse com atenção, eram lágrimas, dores antigas, saudades de dias de maré alta gloriosa e de marés cheias mas serenas.
Acho que o rio é cego....Fiquei a pensar nessa hipótese...Se não o fosse não se perdia naquela luta insana contra as ravinas e as muralhas que o travam. O rio é cego...pode ser que o meu Tejo seja cego?!.....................
O vai e vem das ondas ainda que furioso e em grande número, deixou-me na alma uma serenidade que a tarde chuvosa não me tinha prometido.
Ali o rio misturava-se já com o mar....faltava-lhe um não sei quê de Lisboa. Ainda tive intenção de sair do carro e descer até à praia, à minha esplanada...Nada!...A areia deixara de ter espaço e a esplanada corria o risco de ser engolida por aquele rio que , semelhante a um mar, gritava um desespero desconhecido.
De quem sentiria falta?
-
ACCB

Etiquetas:

sexta-feira, dezembro 28, 2007

EM SINTRA
As águas maravilham-se entre os lábios
e a fala, rápidos
em Sintra espelhos surgem como pássaros,
a luz de que se erguem acontece às águas,
à flor da fala
divide os lábios e a ternura. Da linguagem
rebentam folhas duma cor incómoda, as de que
maravilhado de água surges entre
livros, algum crime, um
menino a dissolver-se ou dele os lábios e ergues
equívoca a luz depois. Rápidos
espelhos então cercam-te explodindo os pássaros.
-
Luís Miguel


NavaPelículas (1979)In Poesia Completa 1979-1994

Etiquetas:

terça-feira, dezembro 11, 2007

Chico Buarque É isso aí!!!



Etiquetas:

__________