CleopatraMoon

Um Mundo à parte onde me refugio e fico ......distante mas muito próxima.

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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” Sou alguém que gosta de descobrir e gosta de se descobrir. Apontamento: Gosto que pensem que sou parva. Na verdade não o sou. Faço de conta, até ao dia em que permito que percebam o quanto sou inteligente.

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quarta-feira, fevereiro 27, 2008


Lá fora não. Havia um vento próprio de uma Primavera prometida que, contudo, tinha ainda restos de um Inverno inesperado. E, lá dentro, desde que fumar não era permitido no interior daquele café, o sol entrava e abria as janelas de vidro, grandes e largas.
Sentou-se. Não queria café. Apenas uma água limpida, transparente, natural...
O olhar atravessava os óculos escuros,como que a esconderem o pensamento. Não via o que queria, ou não queria ver? Ver é duro quando a realidade brinca de esconde esconde como criança que vai crescendo e a gente não quer.
-
Abriu o livro,...mas não. Nem ler conseguia. Encostou o queixo na palma da mão direita e, mais uma vez o olhar percorreu o caudal do Tejo. A corrente sempre na mesma direcção, o caudal sempre o mesmo apesar das marés... Que fora que mudara? Que raio de coisa mudara?
Não conseguia encontrar a razão....
Respirou fundo e uma serenidade enorme atravessou-lhe a alma. Era como se se abandonasse ao curso do rio...Havia barcos ao sabor da corrente, e o olhar desviava-se, continuava a olhar o curso do rio. Havia gaivotas que mergulhavam tontas e sôfregas de peixe, ... e olhar continuava a percorrer o caudal do rio... Havia pardais soltos no vento,... e o olhar procurava sempre o curso do rio....
-
Abriu o livro, " A mulher Certa". Baixou o olhar à sorte sobre a página marcada..."O que quis ele dizer?...Se calhar que um homem só vive enquanto tem um papel a desempenhar. Que depois, já não vive, somente existe. Tu não podes compreender porque desempenhas um papel no Mundo...o teu papel é amares-me. Ora, está dito. Não me olhes assim de esguelha, furibundo. Se alguém ouvisse o que estamos aqui a dizer(...) ...uma pessoa má que visse a cena de fora e nos ouvisse, havia de acreditar que conversamos como dois cumplices....(...) Ri, isso...Porque só os dois é que sabemos a verdade sobre nós"...pag. 328
Fechou o livro e, recolocou o queixo na palma da mão direita. Teimosamente continuaria a olhar o curso do rio.
ACCB

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30 Comentários:

Blogger HarryHaller disse...

Quando se ama vive-se em permanente Primavera.
Gostei do teu texto,escreves bem e tens imaginação literária na minha modesta opinião.

Desejo-te um bom dia

Lobo das Estepes

28 fevereiro, 2008  
Blogger Narrador disse...

Cleo...

Não me sai nada...Que força tem a tua escrita. Curvo-me.

Uma amiga minha interrompeu o Sétimo Selo para ler esse livro, e acho que, ela está a gostar muito... :))))

B*

28 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

O Sétimo selo do José Rodrigues do Santos?
Acho que depois da Filha do Capitão, não escreveu mais nada de jeito.
Mas quem sou eu?...

28 fevereiro, 2008  
Blogger Narrador disse...

Ah Pois!!!! Não era o Sétimo Selo!!! Era o Rio da flores!!!! Ela disse que ia ler "A Mulher Certa" e depois, lá seguiria o rumo do rio...

::)))

28 fevereiro, 2008  
Blogger Narrador disse...

Acabei de "dizer" à Nuvem e ao Pecador, aquilo que te vou dizer a ti...A vossa escrita é impressionante. Vocês descrevem as coisas mais simples com pormenores impressionantes. Eu Curvo-me perante vocês, e agradeço aprender tanto...

Agradeço.

Como disse a ele digo a ti:

Respeito e admiração!

28 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

A mulher certa só pode ser uma obra de ficção :-)

28 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

Acha JC??? A mulher certa é algo que acontece e nunca mais passa!

28 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

Sim? Onde?

28 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

Qdo menos espera!
Não se procura. Encontra-se.

28 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

É como o homem certo. Não estou a falar do homem perfeito, note!Esse não existe.

28 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

Quando encontrar, eu aviso. Até lá, fico na dúvida.
Ah, claro que não se procura...

28 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

AH! Também pode encontrar a mulher certa na Bertrand ! É da D. Quixote!

28 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

"Se calhar que um homem só vive enquanto tem um papel a desempenhar. Que depois, já não vive, somente existe. Tu não podes compreender porque desempenhas um papel no Mundo...o teu papel é amares-me."

Desde que as mulheres passaram a mandar no mundo, as coisas simplificaram-se: o papel dos homens é amarem as mulheres.
Já houve um tempo em que os papeis estavam invertidos.
Duvido que em algum dia os papeis sejam iguais para os dois.

29 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

É esse papel que os faz viver. Se não têm esse papel, ... simplesmente existem.
Ou melhor, se não amam a mulher certa,...não vivem. Existem apenas.

ai.....lá vem chuva!

29 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

Tal como os homens antigamente, as mulheres, hoje, querem ter um tipo que as ame. Que esteja sempre lá. E que sintam que vivem apenas porque amam.

29 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

Não.
Nada como os homens antigamente.
Os homens de hoje são como os de antigamente.
Querem uma mulher que os ame à maneira deles. Nunca à maneira delas. Querem que elas existam por eles e para eles...
Não...não é nada disto...
Nem nada disso...

É simplesmente Isto:

Quem ama a pessoa certa VIVE.
Se assim não é...limita-se a existir. E, por vezes passa a vida sem se aperceber de que apenas existe, ...existiu.

29 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

Bem, finalmente percebi :-)
Já não se trata apenas do amor que os homens devem às mulheres. Também se fala do amor que as mulheres devem aos homens.

29 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

JC,...lá estamos nós em desacordo ;)... o Amor não é uma divida. É um dar e receber recíprocos.


Ou é divida...Pois que o casamento também é contrato... pois... pensando bem...

29 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

Pois. É, o casamento é um contrato. Onde se fala de débito (e crédito) conjugal :-)

29 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

E O Amor., é um débito ou um crédito? Ou melhor: -é um dever ou um direito?
É uma prestação fungível ou infungível?
Ou não é nada disso?
è uma reacção hormonal e ponto final.
Ou é um sentimento e quanto a isso, batatas?

29 fevereiro, 2008  
Blogger Nitrox disse...

Definitivamente hoje é o dia dos rios (para mim), três blogs visitados três historias envolvendo rios, mais um belíssimo texto que me foi dedicado pelo Klatuu, também ele passado num rio.

Voltei; Alive & Kicking

Fica Bem!

29 fevereiro, 2008  
Blogger Apache disse...

Hum... que discussão tão interessante. A Cleópatra parece estar em vantagem. A mulher certa existe mesmo. Vende-se na Bertrand!
:)

Quanto ao ‘post’, muito bom.

“Fechou o livro e, recolocou o queixo na palma da mão direita. Teimosamente continuaria a olhar o curso do rio.” Gosto da pose e da teimosia.
:)

29 fevereiro, 2008  
Blogger O meu olhar disse...

“Quem ama a pessoa certa VIVE.
Se assim não é...limita-se a existir. E, por vezes passa a vida sem se aperceber de que apenas existe, ...existiu.”

Eu não diria tanto. A vida é feita de tantas paixões que nos envolvem que reduzir a força da vida ao Amor por outra pessoa me parece limitativo. Com isto não quero, obviamente, retirar a importância que este amor tem, bem pelo contrário. Só não quero esgotar a vida nele.

Já agora, li com muito interesse o “debate” sobre a mulher certa e os débitos e créditos no amor. Sobre isto gostava de dizer que para mim, toda a relação (e não falo apenas da relação amorosa) é como uma balança: umas vezes pende para um lado, um dá mais ao outro, e vice-versa. É o equilíbrio. Não têm que estar sempre a ver a conta corrente. É uma coisa que fluí naturalmente quando se gosta muito de alguém. Nas situações em que um dá mais do que se recebe, sempre ou quase sempre, a tendência é para começar a descompensar e invariavelmente a relação acaba.

29 fevereiro, 2008  
Blogger JM Coutinho Ribeiro disse...

apache: a Cleo está a ganhar e vai ganhar. Para ser de outra forma, teríamos de fazer confluir conversas privadas com conversas públicas. :-)

01 março, 2008  
Blogger Luís Galego disse...

que bela peça literária. A "Mulher Certa" é tambem um livro que aconselho vivamente, um trtado das paixões e da alma.

01 março, 2008  
Blogger Rodolfo N disse...

Que buen post y que buena discusión!
Me gustó el nivel y el respeto de un diálogo que suma.
Cleopatra , se nota que sos una mujer inteligente.
Beijos

01 março, 2008  
Blogger Zé Carlos disse...

Cleopatra, tão querida quanto sumida, falas docemente de amor....
Bjs do ZC - Brasil

01 março, 2008  
Blogger Henrique Dória disse...

Nem eles conhecerão a verdade sobre eles próprios.

02 março, 2008  
Blogger DarkMorgana disse...

Boa discussão!
Parece um drible! Sem Paraty, nem Paramim, nem Paraninguém, note-se! Felizmente!

Gostei muito do texto!

E quem acha que a mulher perfeita não existe (independentemente da que se vende na Bertrand) é porque nunca a encontrou! ;)

"Teimosamente continuaria a olhar o curso do rio."
Com a teimosia que só quem sabe muito bem o que quer, pode ter.

Beijos

03 março, 2008  
Blogger Cabral-Mendes disse...

Não se deixe enganar pelo falso canto de certas sereias, Cleo... V é que tem razão: "A mulher certa é algo que acontece e nunca mais passa!" - eu um dia explico-lhe à mesa de uma esplanada, com vista para o muito nosso Tejo...

04 março, 2008  

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