CleopatraMoon

Um Mundo à parte onde me refugio e fico ......distante mas muito próxima.

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Localização: LISBOA, Portugal

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” Sou alguém que gosta de descobrir e gosta de se descobrir. Apontamento: Gosto que pensem que sou parva. Na verdade não o sou. Faço de conta, até ao dia em que permito que percebam o quanto sou inteligente.

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sábado, abril 14, 2007


Novamente a ESMERALDA

"Quem decide pode errar, quem não decide já errou."

Herbert Von Karajan
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É que na Verdade, a Jurisprudência dos afectos também existe no aplicador da lei.
A prová-lo está a forma como sensatamente os processos relativos à Esmeralda têm vindo a ser conduzidos.
Com serenidade, com acerto, com Lei, rigor, Doutrina e Jurisprudência que é também e, principalmente no caso dos menores, a dos afectos.
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Se alguém errou, (se.... ) é porque decidiu.
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segunda-feira, março 19, 2007

Num País onde a propriedade vale mais

Hoje é dia do..Pai.
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Todos somos Pais
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66 é o número de crianças, menores de 15 anos, que o INE calcula morrerem por ano, em Portugal, vítimas de maus tratos.
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O número corresponde a 3,7 por cada 100 mil crianças.- 40 mil crianças portuguesas são todos os anos maltratadas, segundo um estudo da pediatra Maria José Fernandes, realizado em 2006.
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- 6 crianças são em média, por dia, vítimas em Portugal de agressões que obrigam a internamento hospitalar, de acordo com a Inspecção-Geral de Saúde.
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- 100 mil é número de crianças em risco apontado por Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascensão, em Faro.
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Dos últimos CASOS DRAMÁTICOS -
SARA SANTOS
Em Dezembro de 2006, dois dias depois do Natal, uma menina de dois anos entrou no Centro de Saúde de Monção já sem vida. A mãe, autora das agressões, disse que a menina tinha caído das escadas.
DANIEL CARVALHO
Surdo de nascença, o miúdo de seis anos foi morto pelo padrasto, em Setembro de 2005, em Caxias. Além das agressões, o rapaz foi vítima de abusos sexuais, apresentando ferimentos no ânus.
VANESSA PEREIRA
Moradora no Bairro do Aleixo, no Porto, a menina de cinco anos foi submetida a banhos de água a ferver e foi obrigada a ficar 24 horas sem comer, até que morreu em Abril de 2005.
FÁTIMA LETÍCIA
Teve o primeiro ano de vida marcado pela violência, sendo alvo de sevícias várias. Internada, temem-se lesões para a vida.
O Tribunal de Viseu condenou o pai a dez anos de prisão e a mãe a quatro anos e meio.
YURI NOCCIO
menino de três anos faleceu no Hospital Garcia da Orta, em Almada, onde deu entrada depois de agredido pelo marido da ama, numa casa do Miratejo.
O agressor já foi condenado a prisão efectiva, pela gratuidade das agressões.
ANGELINA P.
Filha de imigrantes ucranianos, a menina de dois anos morreu em Setembro passado, depois de ter sido vítima de abusos sexuais, em Albufeira, cidade onde vivia. O autor das agressões foi o irmão do actual companheiro da mãe.
BEBÉ DE GAIA
Uma menina de 11 meses deu entrada, já sem vida, nas Urgências do Hospital de Vila Nova de Gaia. Inicialmente suspeitos, os pais passaram a testemunhas porque a autópsia indicou morte por asfixia, sem violência.
DANIEL
Quando era visto ao colo da mãe nas ruas de Fetais, Sacavém, Loures, o pequeno Daniel, de 27 meses, primava pelo asseio, mas os vizinhos estranhavam o “choro de dor” da criança. Até que, em 23 de Fevereiro, o menino entrou em coma no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
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terça-feira, março 06, 2007

Ainda A Imputabilidade.
Num Cinema agora,...bem longe de ti.

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Take The Lead -Trailer


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segunda-feira, março 05, 2007

Mas resolvam!!! Sabem como? Baixem a imputabilidade para os 14 anos!!!




A DEVIDA COMÉDIA
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Criancinhas
A criancinha quer Playstation.
A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato.
A gente deixa.
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A criancinha berra porque não quer comer a sopa.
A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas.
Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas.
Coca-Colas, às litradas.
A gente olha para o lado e ela incha.
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A criancinha quer camisola adidas e ténis nike.
A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
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A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde.
A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante.
A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce.
Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária.
E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
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A criancinha já estuda.
Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás.
Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto.
Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
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A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal.
A rebeldia é de trazer por casa.
Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
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Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.
A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada.
Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora.
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Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
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A criancinha cresce.
Cresce e cresce.
Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.
Provavelmente, não terá um emprego.
«Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

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Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei.
Estou apenas a antecipar-me.
Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.
E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

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Miguel Carvalho
Quinta, 1 Março 2007

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Ainda sobre a Esmeralda

Aqui

Agora no Expresso deparei-me com vários comentários ao meu post que contém " uma carta da Esmeralda"


É engraçado ver a esta distância a polémica levantada.

Já agora deixo aqui mais opiniões.


É que todos queremos saber do evoluir desta estória.


Diz-se a certa altura no primeiro comentário:
**
"Esqueça por um momento que é um ser perfeito, imaculado, impoluto, que nunca, jamais, errou, pecou, etc., e imagine que é uma pessoa igual às outras, um SER HUMANO, imperfeito, como todos os outros e que, humano que é, errou um dia"....


Não sei se o comentário é comigo ou para mim porque eu não sou nada disso.

Mas vou responder.
E não como Juiz
Vou-lhe responder como mãe.
Como ser humano igual a todos os outros.

Já muitas vezes pensei nisso.

Já muitas vezes me interroguei e sabe a que conclusão cheguei?

Se de repente me dissesssem que a filha que tenho não é minha, que houve um engano um lapso... uma troca, e que a minha filha biológica era outra que não a que eu julgava minha..


A resposta seria:

Quero as minhas duas filhas.

E faria tudo para ficar com elas!


Atentem que respondi apenas como ser humano igual a todos os que não exercem a profissão que exerço.

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Se quiser a minha resposta como Juiz começarei por lhe dizer que, mal ou bem, todos os Juízes, sem excepção, decidem em consciência.




Deixo aqui outras opiniões.

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Para que nada se lamente fica aqui o texto integral do Acórdão do TJTN


in - InVERBIS - ao lado nos links
:
Tribunal Judicial de Torres NovasData:
16 de Janeiro de 2007
Crime de sequestro agravado
-Crime de subtracção de menor.
O acórdão é público, encontra-se depositado, e
não está sujeito a segredo de justiça .
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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Era uma vez uma menina de nome Esmeralda.....


Olá...
Eu sou a Esmeralda
Correspondo a uma fórmula, tenho uma composição, densidade, dureza,... Transparência não. Mas tenho cor.
Não sou uma pedra preciosa.
(Pelo menos por enquanto)
Não sou a deusa sagrada dos Incas nem a pedra que, segundo os Egípcios, estava ligada à fertilidade e ao renascimento.
Nem a pedra que cura a doença dos olhos também segundo esse povo...
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Sou uma criança de 5 anos.
Pequenina como todas as crianças de 5 anos.
De repente percebi que falavam de mim , na televisão...como falam das "Pistas da Blue" .
O meu pai não o vejo há alguns dias.Como ele é militar deve ter ido em missão.
Os militares vão de vez enquando em missão, para outros países estranhos e de costumes diferentes onde há crianças que não têm água para beber e têm muitas doenças e muitas moscas em cima delas, porque não têm pai, e "às vezes", nem têm mãe.
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A mãezinha diz que ele volta quando acabar o trabalho que foi fazer, mas que vai demorar muito.
Não sei o que se passa ao certo porque, a mãe, não quis ficar em casa comigo como é costume e, viemos para uma casa de que eu não gosto tanto como da minha.
Aqui não tenho o meu quarto, nem os meus brinquedos , nem o cheiro das minhas coisas.
Eu gosto do cheiro da minha casa.
Quando regresso da praia de férias, a minha casa parece sempre nova, e vou sempre a correr ao meu quarto para ver se ele lá está e, o cheiro dele também.
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O Paizinho é muito meiguinho comigo e eu tenho saudades dele.
Quando era mais bébé não sentia muito a falta dele, mas da mãe sim e do colinho na hora do biberão e do sono....de dia e de noite...
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Quando o pai vai em missão costuma telefonar. Ainda não telefonou.
Deve ser uma terra bem longe!
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Ontem ouvi dizer que tenho uma mãe que se chama biológica . Não sei o que é isso mas só conheço a minha mãe. A que me mudou as fraldinhas, deu o leitinho, as primeiras papinhas e os miminhos todos de noite e de dia.
Deve ser isso que é uma mãe biológica.
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Os miminhos são tão doces e quentinhos!...
Agora ando a aprender a juntar as letras com ela...É que eu já sei contar!!
Gosto do colo da mãe, mas ela desde que o pai saiu anda muito triste.
Dá-me colinho mas diz que está cansada e chora muito.
Deve ser do paizinho não estar e não ter telefonado ainda.
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Eu gosto do colo dele!
É forte e alto.
Lá em cima vejo tudo!
Por vezes e põe-me " às cavalitas" e corre e salta!
É bom!
Faz-me vento na barriga e dá-me vontade de rir...
Há vezes que até choro a rir!!
Tenho uma bicicleta.
Deu-ma o Menino Jesus no Natal. Ando a aprender...mas o pai tem mais paciência e força. A Mãe fica cansada de ter de empurrar e prefere ficar a ver.
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Não sei como vamos fazer sem ele cá.
Também ouvi na televisão que há um senhor, que uma senhora chamada Justiça, diz que é meu pai biológico.
Não sei nada disto.
Não o conheço só vi a imagem por acaso e não é o meu pai não senhora! O meu pai eu sei bem quem é.
A Tal senhora chamada Justiça, deve ter feito confusão ou, então, não sabe mesmo quem é o meu pai.
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Quando o pai não está, é a mãe que me conta as histórias todas as noites.
As histórias do pai são sempre inventadas por ele... são bem mais complicadas e têm sempre muitas confusões e novidades.
Tenho medo e fazem-me rir!
Gosto de ter medo!!!!
Dá arrepios na barriga.
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Os Jornais chamam a esta confusão que alguem arranjou por passarem umas filmagens de umas pessoas que não são nem o meu pai nem a minha mãe, um conflito da Justiça.
Provavelmente essa senhora está baralhada por ter tantos livros de histórias grandes e complicadas para ler.
Provavelmente nunca leu livros de histórias dos meus...
E não sabe que eu já estou esclarecida sobre quem são os meus pais.
Que confusão!
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Eu não quero saber se a tal senhora tem conflitos com os pais, ou a televisão se engana a passar as fotografias dos meus pais... quero que o paizinho volte depressa e a mãe deixe de estar triste e cansada, para eu poder brincar e rir como gosto.
E quero voltar para o meu quarto...
Aqui "não cheira a mãe" em todo lado..
Nem os dias amanhecem pela janela com o beijo do pai, quando sai para o trabalho e eu nem abro os olhos, mas sinto o cheiro dele...
Aqui a mãe não tem o nosso cantinho de brincadeira em que jogamos ao faz de conta que....
Porque hão-de chamar biológicos aos meus pais?
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Eles chamam-se como todos os pais. Têm um nome vulgar. Normal.
Ora... Biológico, é lá nome de pai ou de mãe!
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ACCB


( Porque este post tem sido alvo de pedidos de cópias é bom que leve junto a nota de que foi escrito, imaginando-se pensado por uma criança de 5 anos ,que nada percebe de um Mundo de leis e de adultos e que, neste momento, apenas se impõe encontrar a melhor solução para ela, no seu interesse e apenas com os olhos postos nesse interesse que é o dela, apenas o dela.)

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Esmeralda


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O interesse da menor é vítima de decisões de resultado contraditório entre si, proferidas por Tribunais diferentes e absolutamente competentes??????
*
OU
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O sargento Luís Gomes foi ontem condenado a seis anos de prisão pelo sequestro da menor Esmeralda Porto. O arguido e a mulher, acolheram a menina com três meses de idade e recusam-se a entregá-la ao pai, a quem foi concedido o poder paternal em Julho de 2004.
Esmeralda fará cinco anos no próximo mês.
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“Esta criança é inadoptável. Não há legislação em Portugal que permita a este casal [o arguido e a mulher] adoptá-la porque não há abandono e o pai não dá consentimento à adopção”, disse a juíza presidente do colectivo, Fernanda Ventura."
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O casal tem uma relação afectiva profunda com Esmeralda e receia, com base no parecer de psicólogos e pediatras, que a entrega ao pai – que a criança não conhece – lhe cause traumas irreversíveis
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-----------------Já em 2005-02-05 - 00:00:-----------------------------------------
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Esmeralda Porto nasceu da relação ocasional entre uma cidadã brasileira, de 39 anos, e um carpinteiro de 25 anos, residente em Cernache do Bonjardim, Sertã.
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Aos três meses, e à margem de qualquer mecanismo legal, a mãe deu-a, assinando uma declaração, a Luís Gomes (sargento do Exército) e Maria Adelina, actualmente residentes no Entroncamento.
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Na sequência de uma acção do Ministério Público, o pai biológico sujeitou-se a testes que confirmaram a paternidade e perfilhou a criança, manifestando vontade de tê-la à sua guarda.
O Tribunal de Torres Novas veio a decidir nesse sentido, por entender que Esmeralda tem direito a ser criada pelo pai, que não a abandonou.
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José Fernandes, director regional do IRS no Centro, - Está muito vulnerável, no processo de formação de personalidade e isto pode deixar marcas irreversíveis”, afirmou ao Correio da Manhã.
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Luís Gomes afirma que a sua intenção e de Maria Adelina é “defender os interesses da criança até ao último fôlego”, pois consideram que para a menina seria “muito complicado e doloroso” mudar de família.
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Para o Tribunal Constitucional, contudo, está em causa a defesa do princípio da igualdade, do direito de acesso à Justiça e do dever de protecção das crianças.
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- Adultos, técnicos ou não, que esqueceram o que é ser criança....
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domingo, maio 28, 2006

A propósito de Crimes Menores in- Jornal de Notícias - de hoje -


Uno di un ragazzi ha scritto in un tema:
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“IO VIVO DOVE MI TROVO: SOTTO UN VIADOTTO, NELLA STRADA O SULLA SPIAGGIA. ANCHE SOTTO LA PIOGGIA! NON HO MAI AVUTO UNA CASA, IO. PERO’ MI IMMAGINO COME DOVREBBE ESSERE: ACCOGLIENTE, BELLA, CON LA FAMIGLIA VICINA. MOLTA GENTE SI LA MENTA PERCHE’ LA SUA CASA E’ PICCOLA, MA LORO ALMENO SONO AL SICURO. IO HO UNA CASA IMMENSA, GRANDE QUANTO LA MIA CITTA’, MA E’ FREDDA E PERICOLOSA”.
(Dal tema in classe: “Dove vivi”)
R.A.R.–15anni- http://www.itclenoci.it/SpazioStudenti/progetti/progettoinfanzia
/meninos_da_rua.htm
****
(...)
(Extracto de algo escrito há tempos. Daí os tempos verbais que contudo se podem também conjugar no presente.)
..........
*
Escreve, escreve para mim. Sobre que lhe iria escrever? Que lhe poderia contar?
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As fisionomias dos que permaneciam na praia já não eram decifráveis em contra luz. Não lhes sabíamos a idade ou a raça. Apenas os contornos me diziam se eram homem ou mulher e que todos estavam envolvidos no mesmo momento.
Era um espaço temporal em que credos, raças ou políticas não tinham lugar.
Sorri ao pensar que era um espaço absolutamente constitucional!
Credos e raças.
Raças… as tão invocadas e defendidas, as minorias étnicas porque as maiorias não eram raças. Por vezes pensava que era essa a ideia da generalidade dos mortais. Quando se fala de raça, fala-se de pretos não de brancos. Ou, numa interpretação mais “democrática” e menos xenófoba, de pretos e brancos.
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Mas…. Cuidado! Branco será raça?! Ridículo trazerem-me à audiência tais ideias….Numa época em que a descoberta de um código genético vinha dizer que afinal nem havia raças… como podiam dizer que era por serem pretos que eram condenados?!
Era assim, tão simples quanto isto:
- Vocês tratam-nos assim porque somos pretos!
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Ouvia isto vezes sem conta da boca de miúdos que nem sabiam o que tinha sido o racismo ou o que era.
Miúdos de bairro, filhos de homens e mulheres trabalhadores, que sofriam na pele a dureza de um horário desgastante para trazerem para casa o salário de um mês que a custo geriam.
E os filhos, a geração de uma época pós descolonização, desconheciam todo o sofrimento do desenraizamento, e as dificuldades com que os pais os alimentavam e os educavam. Cheios que estavam de lacunas culturais e de insuficiências económicas.
Todos jovens, muito jovens mas a enveredar por comportamentos de grupo, quase tribais e principalmente desviantes.
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- “A gente” assaltou a loja porque queria uns ténis da Reebok e uns blusões da Nike.
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- “ Fizemos” o Civic porque as “garinas” gostam desses carros e nós queríamos dar umas voltas com elas.
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- Faço isto porque quero dinheiro para comprar roupas de marca.
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- Faço isto porque é um desafio. Só quem tem coragem consegue. Não tenho medo. Só “tou” arrependido porque estou aqui…e “tou” preso.
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- Não vou estudar porque não gosto. A cabeça não dá. Prefiro beber uns copos - vinho tinto com Coca Cola… O pessoal fica “bué da fixe” e depois faz merda!
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- Estou arrependido porque estou preso.
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- A “bófia” arreou-me e eu tive de dizer que era eu.
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- Fumo uns charros e dou uns “drunfos”….nada de mais. Arranjo o dinheiro por aí a “fazer” uns putos na escola e umas velhotas nas compras. Também arrumo uns carros.
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- Passo o tempo com o pessoal lá do bairro. Bebemos umas coisas… damos umas voltas… às vezes representamos uns aos outros o produto e passamos assim a tarde. Um tipo fica “baril” “táver”?! “Tá-se bem!”Estudar é uma seca!
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-A minha velha e o meu velho são uns chagas… dão-me cabo da cabeça… dizem que se não estudo tenho de trabalhar… mas… sou preto… não dão trabalho aos pretos.
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- “Chinei” o tipo porque ele não queria dar-me o dinheiro. Começou a enervar-se e …e olha, “chinei-o” depois dei-lhe a “palmada”. Se o gajo não tem feito “basqueiro”…não “tava” hoje aqui!!.
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- O “ moelas” é que foi da ideia. Eu e o “Fininho” só demos cobertura. Os putos eram só dois. Fizemos os telemóveis… era para vender… “pá” droga eu?! Não… eu queria uns ténis NiKe e os meus pais diziam que não!...
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- Estou na 3ª classe. Ainda não tive tempo de fazer mais anos… tenho 16 anos… tenho de trabalhar às vezes… não dá para ir à escola. “Bazo” dali logo que me levam lá. AH! Isso não é “pra mim”, cabeça não dá!
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Enquanto eles desenrolam os disparates que dizem e fazem no dia a dia, abanando-se ao ritmo não sei de que som imaginário que lhes enche os ouvidos, ou como se tivessem de falar marcando o ritmo das palavras, as mães, porque só as mães aparecem, choram lá atrás sem solução para tanta indisciplina.
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Os seus meninos estão presos ou a caminho de o ficarem Não percebem como tal lhes foi acontecer e pedem muitas vezes a ajuda do Tribunal. Algumas dizem que já não têm mão neles. Que é melhor ficarem presos. Outras não se conformam com tal hipótese e, também elas, pensam que é tudo uma questão de racismo.
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Quando os acórdãos são lidos há os que amolecem, os que prometem mudar de vida e há os que nos olham com a arrogância própria de quem não entende porque não pode ter o que alguns têm. Não aceitam desigualdades sociais e transformam-nas em desigualdades raciais.
Lembro-me de um olhar de 17 anos que me fixava de baixo para cima, cheio de revolta e de ódio. Disse-lhe que teria de levantar mais o rosto… que estava muito desnivelado, muito em baixo…Ergueu a cabeça e passou a olhar-me muito de cima para baixo, com a mesma arrogância revolta e desafio, quase com um misto de ódio .
- Assim já consegue estar quase ao nível do meu olhar – respondi-lhe com um sorriso seco e irónico.
O resultado foi desconcertante. Os ombros quebraram e, por inacreditável que possa parecer, dos olhos caíram lágrimas grossas e, das mãos atrás das costas atadas num mutismo de desafio, soltaram-se soluços que o abanaram pelos ombros enquanto lhe li o acórdão.
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No fim não tinha percebido nada. A família assistia à audiência e a mãe entre emocionada e feliz, assoava-se ruidosamente. A irmã sorria. O irmão ía em liberdade. Com regime de prova ou lá o que era, mas livre.
- Percebeu?!
- Vou preso.
- Valha-me Deus! Estive a falar para quem?!
- Não entendi!!!
- Vais em liberdade! – Ouviu-se na sala e em coro.
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Não entendia.
Depois de estrebuchar durante todo o julgamento e de “ se estar completamente nas tintas” para o que lhe perguntaram, como podia ir em liberdade?!
Que queriam eles em troca?! Que cumprisse regras?! Se não, iria dentro?! Era preferível ficar dentro já. Regras não era com ele. Apresentações?! Acompanhamentos? Horários?!.... Xii!!!!! Ganda Nóia!!! Deixar de andar à noite?! Sem poder sair da Azinhaga dos Besouros a não ser para ir à assistente social e ver “a cota” da juíza ao Tribunal.
Ter de frequentar escola e ter notas para passar?! Com a velha a “chagar-lhe a mona”?! Sim porque o pai… esse… deixara-os havia muito tempo. Vivia com outra e tinha filhos aqui e acolá….
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Mas… de qualquer forma…ficava em liberdade…. Talvez até fosse bom….O pior era o controlo que iam exercer sobre ele. Bem, a mãe trabalhava todo o dia e a irmã mais velha também. Podia ser que até corresse tudo bem.
Já não podia fazer parte do grupo mais destemido do bairro.
Os mais velhos iam desprezá-lo e os mais novos teriam pena dele.
O Gang ía abandoná-lo.
Era com eles que se sentia forte e gente.
Com eles tudo era fácil e possível, não havia limites nem barreiras.
Regras?! Só as que eles criavam. Até a bófia tinha medo deles! Iria ser renegado!!! Sentia-se perdido.
O seu grupo de pares iria rejeitá-lo e, os outros, já o rejeitavam havia muito. Sem apoios, nem de família nem de escola como ía ver-se sozinho, no seu conflito íntimo?
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Deveria o tribunal condená-lo a uma pena efectiva?
Não. A pena suspensa na sua execução obrigá-lo-ía a optar.
Ou a criminalidade definitivamente, ou o abandonar de praticas ilícitas.
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Não podia juntar num mesmo estabelecimento prisional, um miúdo que delinquíra pela primeira vez, e rapazes habituados à delinquência e a anos de condenações.
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Embora não lhe aplicasse o regime dos jovens adultos face ao tipo de crime – roubo – em que a violência empregue não o permitia, deixava-lhe a porta aberta para provar que queria mudar a sua vida e os seus pares e a oportunidade de acompanhado, o fazer realmente.
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É uma obrigação do estado de Direito criar condições para a inserção do cidadão na sociedade.
Havia uma oportunidade a dar a miúdos como ele.
Apesar do enorme alarme social, a primeira vez pode até ser a única.
O Tribunal deve procurar ter sempre em conta o princípio da preferência pelas reacções não detentivas, sempre que estas se revelam suficientes no caso concreto, para a realização das finalidades da punição.
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E, se o Juiz não é, como alguns podem pensar, um indivíduo de mentalidade pobre e obtusa, mas antes o dono de uma inteligência que pressupõe para além do conhecimento, a imaginação, impõe-se-lhe pois, a obrigação de enriquecer, até ao limite possível a panóplia das alternativas à prisão posta à sua disposição e, a obrigação de a usar sempre que tal for possível.
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Por outro lado necessita indiscutivelmente de resposta pronta por parte de instituições de apoio.
O rapaz ficaria com a pena suspensa pelo período de três, sujeito a apertado regime e a um leque de obrigações que não lhe dariam tempo para pensar em outra coisa que não fosse o que o tribunal lhe impunha.
Era uma escolha que lhe cabia fazer. O Tribunal propunha-se apoiar…. A escolha era dele apesar de tudo.
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Era ali, naquelas situações que mais me sentia Juiz. Na intervenção que fazia de uma forma mais directa na sociedade. Ou que pelo menos tentava fazer.
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Por isso o Direito Penal me seduzia. Porque me seduziam os outros.
Os seus conflitos e os seus egos, as suas interrogações e as suas dificuldades.
O Direito Penal era os outros… as pessoas.
E as pessoas apaixonavam-me e levavam-me a sentir que valia a pena, apesar de tudo, acreditar em mudanças.
Descobrir o ser humano era possível ali.
Nunca seria uma civilista de alma e coração. Embora o Direito Civil fosse um jogo de intelecto, desafiador e gratificante, o Direito Penal era a descoberta do outro. O procurar e o encontrar de um Mundo Real que, embora controlado, me entrava pela alma dentro e que eu tentava perceber e por vezes modificar, que me encantava e seduzia, porque, no outro, descobria-me a mim.
Na sala de audiências, na cadeira vedada aos outros mortais em que eu me sentava para exercer a Justiça em nome deles e por eles, e que eles sabiam pertencer-me por direito, o espaço era pouco para tanta sede de entender a personalidade dos outros, os porquês dos outros… .
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Mas o desejo de cada vez mais os esmiuçar e entender, levava-me a não abdicar de todo um Poder / Dever que me orgulhava de exercer.
Por vezes sentia-me um Dom Quixote contra moinhos de vento, sem respostas e sem instituições de apoio.
Mas não desistia, e o prazer de algumas “vitórias” era, apesar de curto, compensador.
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E era através deste ramo do Direito, e por este, que mais se impunha a interdisciplinaridade das diversas matérias como a psicologia, a sociologia a psiquiatria forense, a medicina, porque também estas se debruçam sobre o Homem e os seus comportamentos. Os dissecam e tentam entender e explicar.
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E o Direito, em especial o Penal, não pode abstrair-se dessa realidade, porque essa realidade, é importante a cada um de nós e é cada um de nós.
Cada ser é um ser e para o definir e julgar, para compreender também a vítima, a sociologia e a psicologia têm obrigatoriamente de estar presentes.
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Os Juízes não são mais figuras medievais, nem seres longínquos e inatingíveis, fechados ao Mundo que os rodeia. Eles são técnicos de Direito que saem do Mundo que os rodeia e fazem parte intrínseca do mesmo.
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O seu conhecimento não se pode limitar ao Direito. O Juiz deve ter a abertura suficiente para poder conhecer o ser humano no seu todo, isso é ainda mais exigível ao Juiz do Crime mas, é-o também ao Juiz de Família e ao Juiz de Cível e do Trabalho....
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É também na sua experiência e na sua capacidade de abertura que encontra o outro, objecto do seu julgar. Para isso não precisa de ser mais ou menos velho…precisa apenas de estar atento e aberto aos outros. O facto de ser mais velho ou mais novo, não dá ao Juiz mais sensatez. Pode dar-lhe, ou não, mais experiência de vida, mas, se não tiver sensibilidade nem estiver vazio de preconceitos, pouco lhe adiantará os anos a mais com que percorreu a vida.
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Como diz Kant na sua Crítica da Razão Pura : «Não há dúvida que todo o nosso conhecimento começa com a experiência. Com efeito, como poderia ser despertada para o seu exercício a capacidade de conhecer se não fosse pelos objectos que impressionam os nossos sentidos e que, por um lado, produzem representações por si mesmos e, por outro, põem em marcha a nossa faculdade intelectiva a fim de que compare, ligue ou separe estas representações, e elabore assim a matéria bruta das impressões sensíveis para delas extrair um conhecimento dos objectos a que se chama experiência? Deste modo, cronologicamente, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todos os conhecimentos principiam. Mas, se todo o nosso conhecimento principia com a experiência, daí não resulta que proceda todo da experiência (…).»
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Sejam quais forem o modo e os meios pelos quais um conhecimento se possa referir a objectos, é pela intuição que se relaciona imediatamente com estes. (...) Esta intuição, porém, apenas se verifica na medida em que o objecto nos for dado; o que, por sua vez, só é possível (pelo menos para nós homens) se o objecto afectar o espírito de certa maneira. A capacidade de receber representações (receptividade), graças à maneira como somos afectados pelos objectos, denomina-se sensibilidade. Por intermédio, pois, da sensibilidade são-nos dados objectos e só ela nos fornece intuições; mas é o entendimento que pensa esses objectos e é dele que provêm os conceitos.»
“ Sem a sensibilidade nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas.
Pelo que é tão necessário tornar sensíveis os conceitos (isto é, acrescentar o objecto na intuição), como tornar compreensíveis as intuições (isto é, submetê-las aos conceitos).
Estas duas capacidades ou faculdades não podem permutar as suas funções. O entendimento nada pode intuir e os sentidos nada podem pensar.
Só pela sua reunião se obtém conhecimento.»
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É por aí que passa a capacidade de apreciar a prova, apurar os factos e determinar a culpa com a correspondente medida da pena.
A capacidade de ser Juiz.
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Não é igual à capacidade exigida ao Ministério Público. A esse cabe-lhe a investigação, a intuição da descoberta dos indícios, a inteligência para os reunir, a táctica para chegar a eles, o constante zelar pela legalidade democrática. A esse, cabe-lhe a sensibilidade para os oferecer ao que os irá apreciar e concluir pela segurança e credibilidade dos mesmos. Ao Procurador cabe a tarefa de estar sempre alerta, de esmiuçar os pormenores e fazer deles indícios que serão inevitavelmente prova.
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Ao advogado, e por ora, apenas a falar do Direito Penal, cabe o papel de mostrar os indícios reunidos com outra face, aos olhos do Juiz. Talvez lhe caiba o papel de acordar o Juiz à tal interdisciplinaridade de que tanto se fala e necessita.
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Não é como se o Procurador, a acusação, fosse um anjo da Justiça assim como o advogado outro anjo em busca da verdade da Justiça, e o Juiz um anjo na hierarquia superior aos outros dois, que decide e pode fazê-lo porque distanciado de qualquer das personagens em juízo.
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Mas, é como se a Justiça fosse o resultado desse trabalho conjunto entre os três e, só com esse esforço norteado apenas para um fim, o da descoberta da verdade dos factos, se conseguisse alcançar aquilo que todos procuramos exigimos e a que temos direito, o que se pede em todos os recursos e despachos de sustentação: Justiça!
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( e pensei escrever-lhe sobre isto)
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ACCB- Setembro de 2003 - copyright

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