CleopatraMoon

Um Mundo à parte onde me refugio e fico ......distante mas muito próxima.

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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” Sou alguém que gosta de descobrir e gosta de se descobrir. Apontamento: Gosto que pensem que sou parva. Na verdade não o sou. Faço de conta, até ao dia em que permito que percebam o quanto sou inteligente.

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sábado, abril 14, 2007

Os Maias ( em brasileiro porque os Portugueses....) E um texto que cai a matar...quase!

E vale a pena ver...todo o clip.
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"Porque vens visitar-me?
Enquanto remexia nuns papéis surgiu o teu retrato num vazio de mim e imediatamente ocupou todo o espaço.
Eram os teus anos. Mas eu conheci-te no espaço real longe do irreal em que apareces.
Mandei-te embora tantas vezes? E tu foste.
- Pessoas como tu dão muito trabalho -disseste-me.
Pois dão. Mas...?
Da janela do teu quarto víamos um jardim insuspeito.
Como estás tu agora? Meu deus como temo esta resposta.
Estarás casada, feliz.
Podia saber mas não quero, logo eu que parecia ter a poção da coragem.
Sei quem sabe, mas não pergunto.
Sei o teu telefone e não falo.
Tenho tanto medo.
Já não vou ao palácio.
Faltei à minha promessa de esperar no fundo da rua.
Mas magoa-me tanto ver a varanda do teu quarto. Mesmo depois de ires embora ficava a olhar na esperança de te ver.
Já não podia mais, estava a destruir-me.
Dou agora conta, mesmo agora, que já não vou aos lugares onde estivemos.
Começamos a namorar enquanto víamos filme lendas de paixão.
Mas porque é que a nossa história tem eu ser tão igual.
Tão igual?
Meu Deus como estarás tu?"
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O MAGO

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terça-feira, abril 18, 2006

Já leram?




O Amor nos Tempos do Cólera (título original em espanhol: El amor en los tiempos del cólera) é um livro de Gabriel García Márquez publicado em 1985. O livro é um romance de gênero realismo fantástico passado no século XIX com cenário na América Latina.


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O romance é o amor de Florentino por Firmina, que ultrapassam 53 anos quase sem nenhum contato.
Conheceram-se pela profissão de telegrafo de Florentino, ao entregar correspondências a Lorenzo (pai de Fermina).
Os dois passaram dois anos enviando cartas um ao outro, até Florentino decidir mandar uma carta com o pedido de casamento, mesmo sem nenhum contato físico e com o quase inexistente convívio até o momento, na dúvida Fermina esperou 4 meses sem dar a resposta, sendo forçada com uma correspondência mais que simbólica contendo um bilhete com o pedido de aceitar ou esquecer a proposta;
ela aceitou mas impôs a condição de que esperassem mais dois anos antes de se casarem, mas 4 meses antes da data marcada ocorreu a intervenção de Lorenzo que descobrira o relacionamento dos dois através de um freira da igreja de sua filha.
Lorenzo tomou atitudes tais quais como mandar a tia de Fermina embora, pois acobertava o caso e levar embora consigo a filha para outra cidade.
Foram mais dois anos de correspondências escondidas de Lorenzo.
Passado esse tempo Fermina voltou à cidade natal, sendo um dia visto por Florentino atravessando uma rua e tendo seu 1° contato com ele passando pela vila dos escrivãos; reconheceu-o quando fora chamada de Deusa coroada, assim como ele a chamava em suas cartas.
Apesar de estar emocionada achou prudente ignorá-lo com um simples gesto com a mão e um: “não, por favor, me esqueça!”
Na mesma época chegou Juvenal de seus estudos na Europa, cobiçado pelas moças como sendo um bom partido; demonstrou interesse por Fermina e sendo o homen ideal no ponto de vista de Lorenzo teve o sucesso com a mesma.
Os tios de Florentino resolveram que o certo seria a uma viagem de trabalho para esquecer a moça, mas ele preferiu tentar ganhar dinheiro ali mesmo.
Fermina não estava feliz com o casamento, mas tinha consciência de que Juvenal era a pessoa certa pra se casar e, além disso, ela era muito apegada a seus dois filhos.
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Passaram-se 51 anos e no dia de pentecostes Jeremiah suicida-se mandando uma carta a Juvenal (é aqui que o livro começa) com o pedido de procurar a sua companheira, que já sabia o motivo de seu suicídio; Jeremiah não queria ficar velho !
No mesmo dia morre Juvenal tentando apanhar um papagaio.
Florentino estava presente ajudando no velório e no enterro de Juvenal, passando despercebido por Fermina até o encerramento das procissões e permanecendo na casa para declarar seu amor a Fermina.
As visitas passaram a ser constantes, levando Florentino a virar um bom amigo do filho de Fermina, que um dia comentou da sua viagem de navio que realizaria;
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Florentino ciente do fato embarcou também no navio, e por influência deu um jeito de viajar a sós com ela. Depois dessa viagem eles seguiram juntos, totalizando a procura pela amada em 53 anos, quatro meses e 11 dias!
Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Amor_nos_Tempos_do_Cólera"
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O texto não é obviamente meu mas é um bom resumo do livro.
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domingo, fevereiro 12, 2006

Cartas de Guerra


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Vocês já leram as cartas de guerra do António?
Do Lobo Antunes?
Confesso que é o primeiro escrito dele que consegui devorar, que li num ápice, que me deliciou...
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Não são só cartas de guerra, nem são cartas de amor...
São cartas de um homem que nos transmite todo o seu sentir num local estranho, numa terra que não é a sua e, que, para sobreviver, se vai agarrando à única imagem que o faz feliz: a da mulher que ama e deixou em Portugal Continental.
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Quase todo o cenário daquilo a que chamávamos o Ultramar, está naquelas cartas...
Todo o calor húmido de um clima, todo o rebentar de trovoada que cai impiedosa com água e água e água......
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Todo o sofrimento de quem não sabe viver aquela vida, que vai aprendendo aquela civilização e que nunca se adapta a um regime militar porque a alma não lhe dá espaço...
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E nas cartas que vai escrevendo desesperadamente todos os dias áquela que ama, porque é o único ponto de ligação com o que o faz feliz, porque é a única razão para suportar os medos nocturnos, os suplícios diurnos, os choques de civilizações mais ou menos hostis,... vai desenrolando sob os olhos do leitor um cenário de guerra que foi o dos nossos militares... um cenário de guerra que conheceu de perto ....
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Tenho para mim que quem escreve deve fazê-lo solto de qualquer fim ou objectivo ou vontade alheia... não se escreve pelos outros, nem para os outros avaliarem..
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Tudo o que se escreve e vem do nosso eu, naturalmente, de forma solta, sem intelectualismos literários... prende... chama,... porque despe a alma de quem escreve....
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E as almas não são muito diferentes umas das outras...
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Talvez por isso... devorei e voltarei a devorar este livro, todas as vezes que quiser rever um passado que não vivi a não ser nos aérogramas que chegavam a minha casa era eu uma miúda ; uma guerra de que não tinha senão o som e as imagens das mensagens de Natal dos nossos militares, enviadas pela RTP, rapazes que quase não sabiam falar português, mas partiam para um confronto militar onde se gritava "Angola é nossa!"... e não era deles... nem nossa.
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E quando o autor escreve. "Adoro-te. repete esta palavra até ao fim do papel", é como se estivesse a dizer...
Aqui estou, por vezes doente, todos os dias, onde vejo atrocidades, tento salvar os vivos e vejo morrer os vivos e, vejo seres mutilados, e tenho medos, e caminho pelo mato a toda a hora, e levanto vôo em aviões que ameaçam cair a qualquer momento, e tenho calor, e chove, e gostam de mim, e não gostam... e tenho saudades e morro de medo de morrer de noite enquanto durmo... Não deixes de me ler... Não quero morrer ao Domingo...
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Leiam... Não vão deixar de o ler nem a ele, nem aquilo que foi um pouco da guerra do Ultramar...
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ACCB - copyright
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Género: Biografia/autobiografiaIdioma: PortuguêsAno de Publicação da 1ª Edição: 2005Ano de Publicação da Edição Corrente: 2005Local de Publicação: LisboaAno de Compra: 2005Páginas: 431ISBN: 972-20-2898-7
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