CleopatraMoon

Um Mundo à parte onde me refugio e fico ......distante mas muito próxima.

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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” Sou alguém que gosta de descobrir e gosta de se descobrir. Apontamento: Gosto que pensem que sou parva. Na verdade não o sou. Faço de conta, até ao dia em que permito que percebam o quanto sou inteligente.

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

CENTENÁRIO DO REGICÍDIO

Xeque ao Rei.




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Eu não sou Monarquica. Serei Republicana? Ou terei alma de anarquista? Não sei. Sei que o comentário que o Francisco deixou aqui neste Post, me levou a escrever no mesmo, apenas hoje, passados já alguns dias sobre o assunto.

Amante de história como sou e, gostando, embora não se note, de dedicar algum do pouco tempo livre que ainda vou tendo a assuntos históricos, terei de fazer aqui um comentário meu, sobre um assunto que é de todos nós.

Dom Carlos I, de seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, de cognome o Diplomata ou o Martirizado, ou o oceanógrafo ( também ele devia escrever : "tu és o Mar" - sorrisos, ) subiu ao trono por morte de seu pai D Luís em 18 de Outubro de 1889, altura em que Portugal sofria uma grave crise económica.

Em 1890 acabou por ceder ao Ultimatum de Inglaterra , quando esta qual pantera, pretendia a todo o custo conseguir o seu Mapa cor-de-rosa e exigiu a Portugal a desocupação de alguns territórios em Angola e Moçambique.

D. Carlos cede e a decisão não é bem acolhida. Mas, estaria Portugal, na altura à beira da banca rota, preparado para confrontos militares com uma potência económica e militar?

A figura cinistra que é para mim o 1º ministro João Franco , terá levado o Rei a, para travar as manifestações anarquicas e republicanas, assinar um decreto absolutamente desastroso.

João Franco reunia inimigos de ambos os lados, ou seja, quer do lado dos monárquicos quer dos republicanos não era este 1º ministro visto com bons olhos. E D. Carlos, perdido pelas poesias e pelas pinturas, mergulhado no amor pelo Mar, veio a assinar um decreto determinando o degredo sumário para as colónias asiáticas dos revoltosos republicanos. O rei assinou o decreto ainda em Vila Viçosa (consta que terá então dito: "Acabei de assinar a minha sentença de morte").

Sem dúvida.

De forma demonstrativa da desordem interna, quando a carruagem real atravessa o Terreiro do Paço o Rei é tristemente assassinado. De nada lhe valeu a diplomacia. Rodeado de politicos mal amanhados e mal quistos, ambiciosos e frustrados, que lhe tinham exigido a dissolução do Parlamento, D. Carlos é vitima da sua desatenção para com a situação politica do Reino.

Uma prova de que um Rei não pode ser apenas um poeta nem um pintor, um diplomata ou um homem muito culto. Um Rei deve ser, acima de tudo um homem atento, que saiba ouvir e mais que ouvir, escutar, que receba, que esteja presente, que se interesse e que não deixe por mãos alheias a regência do reino.

Ou, como diria Maquiavel, o Principe tem de ser Raposa.

O mesmo se exige ao Presidente da República.

-ACCB

10 Comentários:

Blogger Francisco Castelo Branco disse...

100 anoss depois ainda seríamos uma Monarquia?
Este dia foi muito importante para os democratas e republicanos e triste para os monárquicos
É pena que os partidos politicos tenham chumbado um projecto-lei que fizesse deste dia um dia de luto
Coisas da Republica.
Pois os republicanos são egoistas e não olham para trás. Só para a frente....
Apagam a historia da Monarquia

02 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

Olá Francisco.
Um povo que não lembra não respeita e não conhece o seu passado é um povo inculto.

E quanto aos republicanos,... sabes? Eles não sabem nada do Futuro.

Assim como nada sabem do passado.
É o mal de muita gente.
Bj Francisco
Como vão os exames?

02 fevereiro, 2008  
Blogger Apache disse...

Muito bom o primeiro vídeo, apesar de me terem plagiado parte do texto. (lol)

"Este dia foi muito importante para os democratas e republicanos e triste para os monárquicos".
Não, Francisco. Este dia foi importante para todos porque marcou uma viragem histórica (para melhor ou para pior é discutível), conseguida da maneira mais atroz.
Foi triste essencialmente para os democratas que existiam de um lado e de outro, ainda que do lado republicano fossem difíceis de encontrar. Conspiradores havia de um lado e de outro, o sistema partidário estava podre, a corrupção dominava nas altas esferas partidárias. O Regicídio dá-se, porque os interesses pessoais se sobrepuseram ao interesse do povo, da nação como um todo.
O assassinato de um Rei (ainda que em termos de perda de vida humana seja igual), não é politicamente equivalente ao assassinato de um ministro ou presidente. Ao matar-se o Rei, corta-se “a cabeça” do povo, mostra-se o extremo desprezo pela nossa identidade colectiva.

03 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

"Ao matar-se o Rei, corta-se “a cabeça” do povo, mostra-se o extremo desprezo pela nossa identidade colectiva."


Sem dúvida que o Rei é um simbolo de identidade colectiva. Ainda mais se o souber ser.
Um Presidente da República quase o será desde que eleito por uma maioria significativa.
Afinal aos homens de altos cargos o que se pede é que sejam simbolos de unidade e, mais que simbolos que sirvam para que ela exista.



Hoje em dias vemos o poder esfrangalhado pelas autarquias por exemplo, em nome da democracia.
Será uma boa forma dre exercer o Poder?
Cada vez mais pequenos núcleos têm poder e uma forma desgovernada de exercer esse mesmo poder.

Será boa ideia.
O Poder central distribui compoetências como quem distribui milho aos pombos. E a figura central que neste momento é apenas o PR, se não é ouvida ou se não escuta desconhece.

É esta uma forma correcta de exercer a democracia?

O que nos vai valendo é que Cavaco Silva sabe ouvir.

03 fevereiro, 2008  
Blogger Apache disse...

“Sem dúvida que o Rei é um símbolo de identidade colectiva. Ainda mais se o souber ser.” E obviamente alguns não o sabem. Não me parece que fosse este o caso.

“Um Presidente da República quase o será desde que eleito por uma maioria significativa.” O ‘problema’ dos Presidentes é que são oriundos dos partidos políticos, falta-lhes sempre alguma independência face a alguns sectores da sociedade. O Rei é acompanhado pelo povo desde a infância, logo menos susceptível a desconfianças.

Quanto ao João franco, não tenho para mim que fosse uma figura sinistra. Era um homem justo e aparentemente incorruptível. Tinha a confiança do Rei e do povo anónimo. Era odiado pelos cabecilhas da corrupção instalada.
Cometeu um grande erro, pensava que se centrava em si o ódio dos anarcas, dos carbonários e dos maçons e descuidou a protecção ao Rei que tinha a mania que havia de ser mártir. Assim acabou por acontecer.

Ainda haveria monarquia se D. Manuel II usasse a cabeça em vez do coração. Ao culpar João Franco (devido à falta de protecção) pelo regicídio, deportou-o e deixou espaço aberto a (ainda maiores divisões) no seio dos monárquicos, de que se aproveitaram os republicanos em Outubro de 1910, para imporem um regime que não era desejado por quase 95% da população.

Anarca, a Cléo? Não creio!

03 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

Apache, lê-lo é um prazer. Falar consigo deve ser uma delicia. Aprende-se e cria-se.
Obrigada pelos seus comentários.

03 fevereiro, 2008  
Blogger cleopatra disse...

Mas......sempre lhe direi que para mim João Franco foi um ditador.
João Franco anunciou querer governar à inglesa, mas depois do abandono do apoio dos progressistas, foi obrigado a governar à turca.
João Franco não tinha o jogo de cintura,a formação política capaz de o elevar ao desafio das circunstâncias.
Tornou-se um ditador precipitado. Perdeu o Norte e o Rei perdeu o pulso se alguma vez o teve.
~
è certo que na altura a Maçonaria, unida pelo prestígio do grão-mestre Magalhães Lima e disponível para sair das sessões místicas das lojas, das actividades de beneficência e de formação de quadros e capaz de apoiar o desenvolvimento sedicionista da Carbonária se levanta e marca posição contra um Franquismo desorientado e um Rei ausente ou quase. A rainha D. Amélia, a nunca escondeu antipatias face a Franco....
E o rei deixou-o manobrar livremente.

Tão livremente que tudo deu no que deu.

04 fevereiro, 2008  
Blogger Pecadormeconfesso disse...

Não me pronuncio.
D. Carlos estava bem era a olhar para o mar. Em caçadas e poemas. Pinturas e viagens. Não foi um Rei forte.
Mas que o seu homicidio não deixou de ser um homicidio ignóbil, isso é indiscutível.

05 fevereiro, 2008  
Blogger M@nza disse...

Artigo interessante.
Também não sou monárquico e quanto a republicanos .... também tem que se lhe diga.
Deixo aqui um link para um site sobe este assunto que retrata muito bem a época e o acontecimento com imagens e videos:
http://www.regicidio.org/
Hoje em dia não celebro o 5 de Outubro (Implantação da República) mas sim o da Independêncioa de Portugal (05 Outubro de 1143), através do Tratado de Zamora.
É pena celebrar-se um episódio tão pouco digno como o da implantação da república (que resultou do assassínio do rei e seu filho), e deixar para segundo plano um episódio tão digno como o reconhecimento da Nossa Independência....

bjos

06 fevereiro, 2008  
Blogger Cleopatra disse...

"É pena celebrar-se um episódio tão pouco digno como o da implantação da república (que resultou do assassínio do rei e seu filho), e deixar para segundo plano um episódio tão digno como o reconhecimento da Nossa Independência...."

SEm dúvida Manza.

talvez não queiram falar disso porque a Zara e os RTcs todos que aí andam , andam a invadir Portugal de Novo. daqui a uns anos só um Tratado de ZaraModa.

11 fevereiro, 2008  

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