sexta-feira, janeiro 25, 2008

I Congresso Ibério do Poder Judicial
Juízes ibéricos discutem independência do Poder Judicial e
e a tentativa de politização da Justiça
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a 25 de Janeiro, em Lisboa
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O encontro tem o envolvimento de todos os juízes da Península Ibérica.
Este Congresso tem como objectivo evidenciar a Importância do Terceiro Poder no seio do Estado de Direito Democrático.
Visa ainda possibilitar o diálogo construtivo entre os seus titulares e assinalar, através da aprovação de um conjunto de Princípios e, eventualmente, também uma Magna Carta, os pontos tidos como essenciais para a manutenção da integridade e intocabilidade desse Poder.
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"Nesta assembleia, os 7 mil magistrados da Península aprovarão uma carta de 20 princípios, em que declaram não admitir qualquer intromissão no poder judicial por parte do poder político e em que criticam, sem meias palavras, alguns projectos-lei governamentais que, na sua óptica, podem levar à funcionalização e perda de independência.
Esqueça-se, pois, o arquétipo do recato institucional dos juízes. o evento servirá para «lembrar que há um poder judicial independente e que há selos do sistema em que não se deve mexer».
Um dos princípios a aprovar no Congresso vincará, precisamente, a rejeição da politização da Justiça e da participação dos juízes em quaisquer actividades partidárias, mas a verdade é que, para vários dos envolvidos, o evento marcará, decisivamente, a entrada em vigor de uma nova relação entre os poderes judicial e político.
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Conclusões do Congresso, aprovadas em 25.01.08:

Primeiro
A independência do Poder Judicial constitui garantia inalienável dos cidadãos enquanto condição da própria existência do Estado de Direito Democrático e factor imprescindível para a viabilização do acesso efectivo à Justiça;

Segundo
É inadmissível a intromissão dos demais poderes do Estado na esfera de actuação do Poder Judicial;

Terceiro
Os Conselhos Superiores ou Gerais do Poder Judicial são órgãos de cúpula deste Poder e elementos fulcrais para a sua afirmação e exercício.

Quarto
Tais Conselhos, integrados, em número não inferior a metade, por representantes dos Juízes por eles eleitos, nos termos constantes da Carta Europeia sobre o Estatuto dos Juízes, do Conselho da Europa, devem exercer a sua actividade com independência dos demais poderes do Estado e responsabilizar-se pelo auto-governo e tutela da independência externa e interna do Poder Judicial;

Quinto
É inaceitável a funcionalização e politização dos Juízes em qualquer instância;

Sexto
O acesso profissional dos Juízes aos vários graus de jurisdição constitui uma garantia de independência dos Tribunais;

Sétimo
Deve caber ao Poder Judicial o papel decisivo na selecção e formação inicial e permanente dos Juízes, bem como a avaliação do seu desempenho profissional e das suas condições de progressão na carreira, as quais assentarão em critérios objectivos, entre os quais se incluirão a deontologia, o mérito e a capacidade;

Oitavo
Deve ser rejeitada a politização da Judicatura e a participação dos Juízes em actividades político-partidárias activas;

Nono
Os Juízes não podem ser sujeitos, a qualquer título, a ordens específicas ou a orientações genéricas provenientes de outros Juízes;

Décimo
É essencial que o Poder Judicial, com autonomia administrativa, financeira e orçamental, assuma a gestão e administração dos Tribunais e participe na programação, concepção, conformação e aplicação das medidas estruturantes na área judicial, designadamente ao nível das reformas processuais, informatização e organização judiciária, bem como na definição dos critérios de disponibilização de meios materiais e humanos necessários à administração da Justiça;

Décimo primeiro
Deve garantir-se aos Juízes um estatuto económico adequado à sua qualidade de titulares de um dos poderes soberanos do Estado democrático, quer durante o seu exercício profissional efectivo quer após jubilação;

Décimo segundo
A sua intervenção jurisdicional deve ser reservada para actividades de direcção e decisão processual e de tutela dos direitos liberdades e garantias;

Décimo terceiro
Deve ser rejeitada a desjudicialização fundada na alegação da falência do sistema judicial e materializada na criação de órgãos com funções jurisdicionais desempenhadas por pessoas desprovidas da qualidade e estatuto de Juiz;

Décimo quarto
Não deve ser atribuída a qualidade de Juiz a pessoas que não possuam a adequada licenciatura em Direito e a específica formação para o exercício da profissão, ministrada nos termos definidos no princípio sétimo;

Décimo quinto
É essencial a construção das reformas do sistema à luz dos interesses do cidadão numa Justiça independente, equitativa, eficaz, pacificadora das tensões sociais e de acesso universal;

Décimo sexto
Afirma-se a faculdade de auto-regulação do Poder Judicial nos domínios da ética e dos deveres profissionais e recusa-se a alienação do seu papel fundamental na definição normativa do respectivo estatuto;

Décimo sétimo
Neste âmbito, acolhem-se as noções emergentes da Opinião n.º 3 do Conselho Consultivo dos Juízes Europeus, dos «Princípios de Bangalore sobre a conduta judicial», do «Código Ibero-americano de Ética Judicial», da «Carta Europeia sobre o Estatuto dos Juízes» e da Recomendação R94/12 do Comité de Ministros do Conselho da Europa;

Décimo oitavo
A função judicial, que compreende a formação permanente, deve ser compatível com o livre desenvolvimento da personalidade do Juiz.

Décimo nono
As situações de potencial responsabilização dos Juízes deverão ser limitadas às assinaladas por dolo ou culpa grave, rejeitando-se a adopção de regimes normativos intimidatórios, inviabilizadores da decisão livre e independente;

Vigésimo
Tal responsabilidade deverá ser sempre exigida em primeira linha contra o Estado e só em segunda linha, por este, contra o Juiz, precedida da necessária autorização do respectivo Conselho do Poder Judicial.

32 comentários:

  1. "Tá" a ver que na Monarquia respeitava-se o poder judicial... vieram os republicanos laicos e maçónicos e estragaram tudo... os de 1910 e... os de hoje!

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  2. é um congresso com temas interessantes e bastantes questões do dia a dia
    E que me interessam.....
    Muito mesmo

    Da para ir assistir?

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  3. Olá Francisco. O Congresso é de Juizes para Juizes.Os temas debatidos são interessantes sim.
    Mas, os convites são só dirigidos a Juizes Conselheiros, Juizes Desembargadores e Juizes de Direito.
    Não sei se está aberto a toda a gente nomeadamente a advogados e estudantes de Direito.
    Penso, repito, penso que não.
    Vou tentar saber .OK???

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  4. Façam mas é umas horinhas extras para despachar processos que se atrasam em vez de se laurearem por aí!

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  5. Mais horas extraordinárias?
    Arranja um dia com 48horas Statler. Ora, que mau feitio!
    Ou está a pensar dizer ao Governo que deve pensar em pagar horas extraordinárias aos Magistrados?

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  6. Tambvém gostava de ir, mais que não fosse para lhe desejar um Excelente 2008

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  7. Cleopatra

    E que tal esquecer um pouco o mundo das pessoas crescidas?

    Poesia! Põe uma coisa tua, pode ser??? Sim? :))))))))

    Beijo

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  8. Tu no teu mundo dos gandes, és juiza???

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  9. O Congresso é só para Juizes sim.

    No Mundo dos Grandes a Cleo decide da vida dos outros.

    E põe uma poesia tua sim Cleo.
    Gostamos de te ler.

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  10. Os republicanos. Também encazino com republicanos.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Republicanos ou Monárquicos, são todos uma grande cambada de ... e mais não digo que é feio.
    PS: (não o que está no governo, mas o Post Scriptum)
    Sabiam que o presidente do Banco Portugal ganha mais cerca de 100K€ que o seu homólogo do Banco Federal US???
    Somos mesmo "Grandes"
    Assim se compreende porque estamos na cauda da Europa (60% da população) porque nos outros 40% que vivem acima da média EU estão incluídos aqueles que nós conhecemos.
    Ainda bem que o TC declarou inconstitucional a inclusão dos Magistrados (Judiciais e MP)na Função Pública pq senão era o início de mais uma DITADURA.
    Tenham uma boa semana

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  13. Cara amiga, estou a descobrir o seu blog, mas não resisti neste post a dizer-lhe que estudei direito em Coimbra entre 86 e 88, mas descobri rapidamente que não era o meu curso. No entanto, esta formação foi importante para abrir os olhos, já que a justiça anda por vezes com eles fechados.
    Um beijo deste seu amigo em construção.

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  14. OK, Cleo fico á espera dessa resposta do congresso

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  15. O Pecador parece bem informado. Parece-me que sim. É só para Magistrados.

    Mas dou-te uma resposta mais segura via mail. OK?

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  16. A independência nunca será verdadeira enquanto houver poder político a querer mandar neles e em tudo ;-)

    Bjs

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  17. Há uma osmose permanente entre o poder político e o judicial! Para o bem e para o mal!!!

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  18. QUAL OSMOSE!!!
    Não há osmose nenhuma Rouxinol.
    Onde é que foi buscar a Osmose?
    Nunca ouviu falar em Poder Judicial e Independencia?

    O que pode haver é uma tentativa de inflitração ou de dominio. Agora osmose!!

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  19. Francisco :_ Não podes mesmo!! Só qdo fores Juiz! Despacha-te!

    o menino vá mas é estudar!!! ;))))

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  20. Na noite onde se esconde o canto dos pássaros
    De onde nasce este manto de bruma
    Para que norte viajam os teus anseios
    O que procuras perdido na espuma


    Bom fim de semana


    Mágico beijo

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  21. Olá Cloepatra!
    Passei para agradeçer a visita ao meu humilde cantinho.
    Direito nao é oo meu forte, portanto nao vou comentar ao acaso,nao gosto de cometar por cometar,no caso de nao ter conhecimeto no tema em questao prefiro me ficar pelo silencio:).
    Deixo-te assim o meu sincero fim de semana.

    Um abraço
    Fátima

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  22. Obrigada pela visita ao meu humilde cantinho!...
    Espero bem que nesse Congresso consigam definir uma medida que consiga separar o poder judicial do poder politico!...se bem que nos dias que correm estou céptica.

    Beijinhos

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  23. Me encantaría participar, o al menos conocer las conclusiones.
    Besos amiga y felicitaciones por este evento!

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  24. EStá combinado mando-te as conclusões ou entrego-tas em mão aí????

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  25. Seria interessante poder ler sobre as conclusões aqui...

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  26. Amanhã encontramo-nos lá!!!

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  27. Quando vires um velho de ar carrancudo, antipático, de poucos amigos e de ar superior, sou eu!!!!

    (devem lá estar poucos com estas caracteristicas)

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  28. Quando vires uma miúda com ar lunar, sou eu. Se tiver um ar lunático também sou eu.
    Não sei se vais conseguir encontrar-me.
    Então, até amanhã

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  29. AH!!! Esqueci-me de te perguntar, com esse ar ... e tudo, és alto ou...baixo?

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  30. Mas os Juízes descutem?...ou debatem!
    Qué é isso de politização do poder Judicial?
    Deixando as brincadeiras para o espaço; - Espero que retirem desse encontro grande troca de experiencias e vivencias e, que sejam no sentido de dignificarem a classe e honrarem o vosso serio sacrificio pela Justiça, pq os "manos politicos" têm que perder a mania das ingerências. Cada macaco no seu galho (com o devido respeito pelos macaquitos).
    Beijo
    Ontem fui à "sua casa de costas viradas ao Tejo" para lhe dar u olá, mas não estava...amuei...
    Jinho

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  31. Não me encontraste, não te encontrei!!!

    Quando olho para a lua sinto-me pequeno.

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  32. Quando olho para o Homem sinto-me enorme!!!

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os escribas disseram