quarta-feira, dezembro 12, 2007


Contextualizar


O poema é aleatório e chama.

Não sei porque chama,
porque arde,
nem como as palavras nascem
na cabeça e nas mãos
que se apressam a segui-la.
Nem como se organizam
as pequenas habitações do olhar,
palpitando sonoras,
vivas,
a me empurrarem para ele.
Não sei o modo do som
a me tomar a voz.

Só sei o relâmpago
a encher as folhas de palavras.
A paixão.


Silvia Chueire

3 comentários:

  1. Que poema lindo.
    Uma grande poetisa.

    No ano passado tive o privilégio de conhecer a autora no lançamento do livro ' Por Favor, um Blues,' no Porto.

    É tão bonita como a sua poesia...

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  2. Bonito poema
    «...chama...» «...arde..."
    Fez-me lembrar logo o soneto de Camões:
    "Amor é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói e não se sente;
    É um contentamento descontente;
    É dor que desatina sem doer;"

    bjos

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  3. É um bom poema sim.
    também gosto.
    É fora do habitual esta forma de dizer

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os escribas disseram