sexta-feira, novembro 18, 2005

As Palavras



As palavras - Eugénio de Andrade

São como um cristal
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Barcos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são de luz
E são noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
As recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
****

1 comentário:

  1. Escuta-as quem quiser...
    mas só os poetas moldam com elas os sentimentos...
    porque só os poetas sentem incêndios, orvalhos, barcos e beijos e luz...

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os escribas disseram