terça-feira, julho 04, 2006

4 de Julho / Permanência




Permanência
.
Não peçam aos poetas um caminho.
O poeta
não sabe nada de geografia
celestial.
Anda
aos encontrões da realidade
sem acertar o tempo com o espaço.
.
Os relógios e as fronteiras não têm
tradução na sua língua.
Falta-lhes
o amor da convenção em que nas outras
as palavras fingem de certezas.
.
O poeta lê apenas os sinais
da terra.
Seus passos cobrem
apenas distancias de amor e
de presença.
.
Sabe
apenas inúteis palavras de consolo
e mágoa pelo inútil.
.
Conhece
apenas do tempo o já perdido;
.
do amor
a câmara-escura sem revelações;
.
do espaço
o silêncio de um vôo pairando
em toda a parte.
.
Cego entre as veredas obscuras é ninguém
e
nada sabe
— morto redivivo.
.
Adolfo Casais Monteiro
A 4 de Julho de 1908 nasceu, no Porto, o poeta e ensaísta
+

6 comentários:

  1. Adolfo C monteiro? Muito bonito! gostei imenso!
    Sinceramente não conhecia... mas ainda bem que há quem nos lembre destas coisas!

    Parabéns pelo blog! é um despertador!!!

    ResponderEliminar
  2. Perguntou pelos exames...pois, já saíram os resultados...

    ResponderEliminar
  3. JCA - Já lá fui fazer a devida vénia!!Parabéns!!!

    Volte sempre não se esqueça deste cantinho.

    ResponderEliminar
  4. Já tinha passado por aqui mas não consegui comentar.

    ResponderEliminar
  5. Muito obrigado! Não esqueço, não!

    ResponderEliminar
  6. Este poema é dedicado a um poeta que conheço e se encaixa perfeitamente nele. Hoje.

    ResponderEliminar

os escribas disseram